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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!"

Santos, onde e como ELE estiver!! [ZONE FOREVER] {CACOS - Floresta - UFPR}
November 30

Poema da Solidão

E é agora, nessa hora da madrugada, que ela chega,
Sem risos, sem choro, apenas lamento temporão
E chega, e fica, e congela as estranhas
Prendendo na alma o sorriso vão
 
E é agora, quando tudo o mais se cala
Que os seus sussuros fazem ecos na minha mente
E as lágrimas, parte da essência da vida
Tornam-se deserto de um corpo que já não sente
 
Sobra apenas o sentimento indefinido
O leve desespero desenfreado
de ansiar pelo que nunca lhe é permitido
 
Sobram apenas, jogados pelo chão
Os restos de um poema interminado
Pois o que sobra, apenas isso, é solidão

É, jamais saberei fazer um soneto. Na próxima vez eu consigo. Fica poema mesmo.
November 06

Febre de Bola - Nick Hornby

Para as pessoas deste lado do globo terrestre, ou seja, na parte bem ao sul do ocidente, jogos de baseball não costumam parecer atraentes. E, admito, às vezes não o são até para mim, que gosto do esporte. Mas acompanho, e sou torcedor ardoroso de um dos vários times da Major League Baseball, a liga de baseball profissional dos Estados Unidos. E este time pelo qual sofro, o Boston Red Sox, me fez o favor de ganhar a principal série da Liga, chamada (humildemente) de World Series. E, lógico, fiquei muito feliz.
 
Sim, isso não deveria estar aqui, mas em outro espaço também desatualizado por mim freqüentemente. Mas o fato é que, em minha ânsia pelo título, comecei a ver tudo de baseball que tinha ao alcance das mãos e dos olhos. Isso inclui um filme sobre a última World Series vencida - brilhantemente, diga-se de passagem - pelo Red Sox, outro filme sobre rivalidades no Baseball e, finalmente, o filme "Amor em Jogo", estrelado pela Drew Barrymore e por um cara chamado Jimmy Fallon, que faz o papel de um doente pelo Red Sox, o que faz com que ele tenha sérios problemas em seus relacionamentos.
 
Bom, este filme, no original, se chama "Fever Pitch", que é o nome de um livro do escritor inglês Nick Hornby - mais conhecido por ter escrito "Alta Fidelidade" - e, no Brasil, recebeu o nome de "Febre de Bola". No entanto, apesar de, teoricamente, o filme ter saído do livro, sou obrigado a falar que são totalmente diferentes. Enquanto o filme é uma comédia romântica hollywoodiana com o amor pelo esporte como pano de fundo (assista o filme brasileiro "O Casamento de Romeu e Julieta" que dá pra ter uma idéia do que seja o filme), o livro simplesmente narra a vida do autor baseada na sua relação com seu time favorito de futebol, o Arsenal.
 
Sendo de futebol, e sendo do Nick Hornby, é óbvio que eu tenho este livro. E, depois de ver o Red Sox ser campeão, e depois de ver o filme, ler o livro novamente foi um caminho natural. E é incrível como este livro diz muito sobre nós, torcedores.
 
Já escrevi em outras linhas sobre como o Santos é importante na minha vida. Mas ler como o Arsenal se liga intimamente à vida de Hornby - de modo semelhante à vários times com seus respectivos torcedores - é esclarecedor de várias maneiras distintas.
 
Vale lembrar que, a despeito de ser fanático por futebol, Hornby é extremamente culto e hábil com as palavras. Sim, a despeito, porque é incrível como, para as pessoas que não compreendem este amor incondicional por um conjunto de atletas, em sua maioria fanfarrões, pernas-de-paus, ou os dois juntos, um amante do futebol não pode ter a capacidade mental de conversar sobre o que quer que seja. Claro que eu sou um desses típicos casos, mas, graças a Deus, Hornby está aí para defender nossa raça.
 
E é incrível como, durante o livro, Hornby explica tão claramente como é ser torcedor. Ou seja, ser uma criatura que sente um tremendo prazer pelo sofrimento, que se satisfaz insultando os jogadores que deveriam receber apoio, que não é capaz de lembrar o aniversário da namorada, mas lembra quem marcou os gols na semifinal do Campeonato Paulista de 2000, sendo que o Santos nem foi campeão - maldito Rogério Ceni.
 
E Hornby nem faz o esforço inútil de tentar defender a nossa classe, apenas assume nossos erros. Mas, sob sua ótica, tudo o que nós sofremos parece fazer sentido, ao mesmo tempo que nos torna estúpidos torcedores. Hornby assume a nossa posição brilhantemente, chegando, e com justiça, a se indignar com nossa própria paixão irracional.
 
Cada vez que eu leio o livro, me identifico um pouco mais. Talvez porque, como o autor, já tive pessoas, até mesmo namoradas, que se incomodavam com minha paixão futebolísticas. Ou, como ele faz questão de lembrar, também, como ele, virei uma espécie de extensão do meu time - tanto que amigos meus me ligaram em 2002, quando o Santos ganhou o campeonato, e duvido que tenham ligado para outros santistas que porventura conhecessem. Por isso, acho que todos que tem algum contato com algum torcedore fanático de futebol, inclusive o próprio, deveriam ler o livro. A vida faria mais sentido para ambos - ou não, mas acho que não faria nenhum mal.
 
Aliás, tanto o livro quanto o filme - principalmente o filme - me fazem lembrar de uma ex que se sentia incomodada com meu fanatismo, e despertam em mim o sentimento quase irrefreável de mostrar-lhe o filme, pelo menos. Apenas não consigo definir o motivo para esta vontade, mas acredito que sejam dois: primeiro, para poder assumir para ela que, sim, eu parecia - e ainda pareço - demais com estes imbecis infantis que deixam de ter uma vida saudável para acompanhar algo que não lhes garantirá nada. Mas, também, para poder dizer, com a boca cheia e o peito estufado: sim, eu poderia ser pior, como eles, mas não sou.
 
No fim das contas, o que me assusta nisto tudo é: será que eu não sou pior? Claro, se você ler o livro - ou assistir o filme, o que é bem mais simples, rápido e acessível - você deverá concordar, se me conhece bem, que nunca cheguei no nível destas pessoas. Afinal, não tenho todos os ingressos dos jogos em casa do Santos, ou um quarto com fotos dos maiores jogadores, acompanhado por almofadas, colchas, cobertores, cortinas, abajur e toalha - tá, essa eu tenho - do Santos. Mas, quando eu paro para pensar, isso pode não ser fruto de um esclarecimento maior que eu possa ter, mais simplesmente consequência do fato de eu morar tão longe da Vila Belmiro. Estremeço só de pensar no que eu seria se morasse em um raio de 50 km do Urbano Caldeira, de sua loja e seu museu, e da possibilidade de ser sócio e ter uma cadeira no estádio. Acho que a única coisa saudável na minha relação é, afinal, a nossa distância.
 
Em suma, ser torcedor é ser uma criança debilóide de 10, 20, 30, 40, 50 anos, às vezes mais, às vezes menos (debilóide). Mas é algo que não dá para deixar de sê-lo, e isso é o pior. Afinal, como diz o autor a certa altura do livro, é pior que o casamento, pois não existe nem a opção do adultério - afinal, você não vê um santista ir para o Morumbi dar uma (torcida) rapidinha com o São Paulo, e depois voltar. Não, é mais como uma maldição, que, em geral, envolve muito sofrimento.
 
Felizes daqueles que estão livres disso.
October 01

Poema moderno em cinco minutos

Sou muito bom em começar a fazer coisas diferentes, e melhor ainda para parar de fazê-las. E, quando preciso de uma desculpa para isso, sempre recorro à falta de tempo. Mas, pior que deixar de fazer várias coisas muito úteis, é saber que poderia agir diferente e ser uma pessoa melhor e não mudar.
 
Não faz sentido, mas isso me deu uma idéia: fazer um poema moderno em 5 minutos, que terá o sugestivo título de "Poema Moderno em 5 Minutos"
 
Agora são 01 hora, 07 minutos e 50segundos da manhã de somingo para segunda. Começarei às 01 e 09.
 
Poema moderno em cinco minutos
 
[Segunda-feira, 1º de Outubro de 2007, 01:09:00]
 
Cinco minutos
cinco voltas do ponteiro no relógio
voltas como as que mundo dá todos os dias
5 chances para recomeçar
cinco chances para fazer algo novo
mas nenhuma chance para refazer
para corrigir, para melhorar
apenas deixar fluir, apenas correr o tempo
correr as linhas, deixar as palavras fluírem
são cinco minutos de oportunidades que não voltam
cinco minutos que permitem erros, mas que não deixam apagar o que já está feito
cinco minutos para pensar o tudo
cinco minutos que se pode o nada
 
mas cinco minutos podem mudar uma vida
criar uma vida, acabar uma vida
deixar uma obra para a eternidade
cinco minutos criam um poema
cinco minutos podem ser eternos
mas, mais que cinco minutos
sua vida pode demorar anos
para mostrar como cinco minutos importam
 
se mudo minha vida em cinco minutos
se crio um poema em cinco minutos
porque não posso utilizar um dia
um mês, um ano, uma década
para ser melhor?
 
um homem melhor, uma pessoa melhor, um poeta melhor,
nada está além do que eu posso
porque cinco minutos para a minha vida
s
 
[Segunda-feira, 1º de Outubro de 2007, 01:14:00]
 
"Porque cinco minutos para a minha vida são como a minha vida para a eternidade" era o que eu tencionava escrever.
 
Confesso, não foi exatamente como eu planejei. Mas, sem arrependimentos.
 
Ah, se eu não fosse tão preguiçoso, quanto eu poderia fazer!
 
Faça o que eu digo, jamais o que eu faço.
September 28

O lugar mais democrático do mundo

Estávamos eu e um amigo no forró outro dia (quem amigo será que é este...), quando ele, enfático, afirmou: "o forró é o lugar mais democrático do mundo". Sem hesitar, continuou expondo sua tese. "No forró não existe rico e pobre, todos dançam juntos".

E isso é verdade, claro. Mas, no meu íntimo, discordei dele quanto à democracia do forró. Obviamente não discuti isso com ele no momento, porque, democrático ou não, um forró não é lugar para discussões. Mas travei um debate interno.

Diante do argumento dele de que não existem ricos ou pobres, com a qual até concordo, cheguei à conclusão que o forró não se torna democrático por isso. Ele apenas muda a medida de valor.

Explico: na sociedade, tomamos por medida valores como dinheiro e status. Pessoas ricas têm privilégios, pessoas com posses têm direitos que outras pessoas não têm. Isso é o que, na visão do meu amigo, representa a falta de democracia, e que não existe no forró.

E, de fato, no forró ninguém percebe se você tem dinheiro ou posses. Mas isso é porque a medida tomada muda. Ao invés de ser julgado pelos seus bens, os freqüentadores passam a ser julgados por valores como beleza e habilidade de dançar. Assim, aquela pessoa que gosta de forró, mas não é tão boa ou tão bonita para atrair uma companhia, será desfavorecida em detrimento dos talentosos dançarinos que lá existem.

Logo, não pode ser considerado um lugar tão democrático assim, pois também existem as minorias rejeitadas.

Refletindo sobre o assunto, pensei em um lugar que realmente pode ser considerado democrático: um evento de anime e mangá.

Dentre os fãs de mangás, não existem distinções entre rico e pobre. Conheço vários fãs que não são privilegiados financeiramente, mas que tem como amigos pessoas que, por mais que tenham posses, são tão fãs quanto eles. Fãs de animes também não levam a aparência tão em conta, até porque a quantidade de otakus que podem ser considerados realmente belos fisicamente é baixa. Claro, existem casos, mas são raros demais para que a grande maioria dos fãs leve isso em consideração. E, para entrar em um grupo, você nem precisa ser um expert: basta demonstrar um pouco de interesse, que conseguirá encontrar pessoas dispostas a te fazer companhia.

Quer lugar mais democrático que esse???
May 01

E o Paralamas tocou "Aonde Quer Que Eu Vá".

Sábado de noite teve show dos Paralamas do Sucesso no Curitiba Master Hall. Confesso que Paralamas está longe de ser a minha banda favorita, mas algumas músicas deles têm aquele misto de ritmos legais e letras simpáticas que fazem sua alma sorrir. Mas admito também que, no dia do show, não estava lá muito animado para ir. O show era do disco novo, Hoje, que não tem lá tantas músicas emocionantes, e eu tava meio cansado no dia, além de estar meio desanimado pela falta de companhia... Mas meu irmão disse que ia também, os ingressos estavam comprados, e lá fomos nós.
 
Chegamos lá 5 minutos antes do início programado do show, que começaria às 22h. No entanto, o show de abertura (que era pra ter sido às 21h), foi começar às 23h, e o show do Paralams começou só depois da meia-noite. Mas valeu cada minuto.
 
Só de ver o Herbert com seu bonezinho pra trás, de terno e cadeira de rodas, a poucos metros de mim já seria suficiente para me emocionar. Ver o Bi e o Baroni, mesmo que de longe, também foi lindo. Mas o show em si foi bem melhor que eu poderia imaginar.
 
Claro que eles tocaram algumas músicas do CD novo, das quais eu não sabia nenhuma de cor, mas também tocaram todas as que queria ouvir. Tocaram "Meu Erro", que foi acompanhada por dois japoneses que pularam a música inteira na platéia. Tocaram "Busca Vida", "Cuide Bem do Seu Amor" e "Uma Brasileira" (sem a parte do Djavan), que eram as músicas que eu ansiava ouvir. Mas, a certo período do show, eles encerraram e saíram do palco. Tudo bem, eu sabia que eles voltariam, mas confesso que fiquei com medo. Os Paralamas tem vários sucessos, e talvez não tocassem a música que eu mais queria ouvir.
 
Então, depois de voltarem, Herbert, já sem o boné e o terno, falou de forma emocionante que palavras não poderiam dizer o quanto eles estavam gratos. Falou que, naquele momento, eles se ajoelhavam em gratidão diante de cada um de nós, espectadores, admiradores, fãs. E começou, de forma sublime, a tocar a música que eu mais esperava: "Aonde Quer Que Eu Vá".
 
"Aonde Quer Que Eu Vá" é uma música que me traz muitas boas lembranças. Quando consegui instalar internet em casa, foi uma das primeiras que eu baixei. Foi a primeira música que eu toquei com o Helder, nos tempos de Teclado e guitarra. Foi a primeira que me deixou realmente feliz de tocar no violão. Adoro seus acordes, suas melodias, tudo nela me dá tranqüilidade. E, quando Herbert começou a tocá-la, confesso, senti que era pra mim. Naquele momento, despi minha alma de angústias, limpei meu espírito, e me senti feliz de estar lá naquela noite.
 
Paralamas é uma grande banda, sim. Mas, a partir dessa noite, se tornou uma banda especial para mim.
 
Viva Paralamas
 

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Danilo Hatori

Occupation
Interests
Bom,eu amo música,principalmente J-pop,fundamentalmente ZONE.Também adoro futebol, e,em especial,o maior clube do século,o SANTOS FUTEBOL CLUBE.Além disso gosto de ler,ir no cinema,e comprar MUITOS mangás.E,admito,sou romântico,ate demais pro meu gosto.. "Tudo depende do ponto de vista"
"Não existe certeza na vida além da morte"
"Posso não aceitar uma palavra que digas, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la"